terça-feira, 15 de junho de 2010

João Pignataro

PORTUGÛES
Meu avô materno, Agostino Angelo Pignataro, nascido em 1871, emigrou da Itália, mais precisamente, de Vacarizzo Albanese, na época, Município de Rosano, Calábria, costa jônica, quando completou dezenove anos.Veio sozinho para o Brasil, lá deixando a mãe viúva, Mariantonia, que viria a se casar com um italiano de sobrenome Candreva, e uma irmã, Verônica.
Agostino Angelo, depois de uma curta temporada nos cafezais de São Carlos do Pinhal (SP), veio para Minas Gerais, por volta de 1891, trabalhar como empregado da The Ouro Preto Gold Mines of Brazil,Limited, de capitais ingleses, em Passagem de Mariana, considerada a mais importante empresa de mineração de ouro no Brasil de então, não só pela produção, mas principalmente pela tecnologia de mineração subterrânea, trazida pelos ingleses , que por sua vez, demandava mão de obra mais qualificada, encontrada nas correntes de imigração européia, principalmente, italiana, alemã e espanhola
A Companhia da Passagem , quando do esgotamento da mina de ouro, a partir dos anos 1950, foi celeiro de excelentes profissionais (mecânicos, fundidores, marceneiros, etc.) para muitas empresas dos Estados de Minas e São Paulo, então em acelerado processo de industrialização. Muitas dessas famílias descendentes de imigrantes, em Passagem de Mariana, partiram em busca de novas oportunidades.E, pelo que sei, todas venceram.
Minha avó materna, Marieta Pignataro, nascida em 1878, Maria Fortunata Santoro Scarpelli, veio da Itália com quatorze anos, proveniente de Célico, Cosenza, Calábria, costa mediterrânea, acompanhada da mãe viúva, Cecília, três irmãs, Carmella, Rosa, Conchetta e dois irmãos, Cármine e Antonio. Estabeleceram-se, também, em Passagem de Mariana, trazidos pelo irmão Cármine, que foi buscá-los, na Itália, uma vez que tinha vindo primeiro para o Brasil e consolidara um comércio junto à colônia italiana da Passagem. Foi assim que minha avó veio a conhecer meu avô. Casaram-se em Passagem de Mariana, em agosto de 1899, e decidiram estabelecer-se em Ouro Preto, a 6 km dali, com um pequeno comércio, no bairro do Antônio Dias.
Meu avô, figura afável e respeitável, revelou-se bom comerciante. Honesto, cumpridor do dever e infatigável no atendimento de seus fregueses, seu estabelecimento ficou conhecido em Ouro Preto como o “Armazém do Sô Ângelo”. Prosperaram. Tiveram 11 filhos. E, embora não pudessem ser considerados ricos, sempre viveram em casa própria, de boa qualidade, com fartura e alegria. Minha mãe contava que, em sua adolescência, se encantava com os saraus musicais, organizados pelos irmãos em casa. Cada um em seu instrumento.Ela mesma tocava piano e pintava muito bem.
Emigrou-se, também, da Itália, por esse tempo, um meio-irmão de meu avô, Francisco Candreva, que se fixou em Congonhas do Campo, Minas Gerais e cujas famílias sempre mantiveram amizade.
Meus avós puderam, assim, preparar os filhos para integrarem uma classe social mais culta, já que, eles mesmos, pouca oportunidade tiveram de educação escolar, na Itália.
Dos 11 filhos, dois se formaram engenheiros (Francisco e Agostinho), dois médicos (José e Antônio), um farmacêutico (Hélio), quatro comerciantes (Miguel, Martinelli, Vitorino e Pedro), duas normalistas (Anita- ainda viva, hoje com 98 anos, e Antonieta Pignataro Pereira- minha mãe, já falecida).
Os contatos de meus avós e tios com seus consanguíneos que permaneceram na Itália nunca cessaram neste período de mais de um século. Foram, é verdade, tornando-se mais escassos e tênues , com o passar do tempo.
Em março de 2002, tive a oportunidade de conhecer estes dois lugares na Itália, Célico e Vacarizzo, onde encontrei referências desses meus avós. Seus registros de nascimento. Casas em que presumivelmente viveram. Parentes distantes, que conheciam a história da emigração para o Brasil. Foi um mergulho em minhas raízes, de grande conteúdo emocional. Senti-me mais próximo de todos meus parentes, daqui e de lá.Em suma, uma história de família, igual a muitas outras, é verdade, mas onde testemunhei gestos de dedicação, desprendimento, coragem e calor humano.


João Pignataro Pereira- Nascido em Passagem de Mariana, 1946, formou-se em Engenharia Metalúrgica pela Escola de Minas de Ouro Preto (1970).Mestrado em International Public Policy pela SAIS, The Johns Hopkins University, Washington-DC, EUA(1979).Mora em Brasília desde 1972, tendo trabalhado no CONSIDER e SIDERBRAS, então,entidades de governo brasileiro, voltadas à industria siderúrgica.Por 5 anos, foi professor e diretor do Curso de Relações Internacionais da Universidade Católica de Brasília e, atualmente, trabalha no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior-MDIC, em assuntos relacionados à indústria siderúrgica e meio ambiente.

[Este depoimento, em sua maior parte, baseia-se no Cap VI –As Raízes de Lá , do livro de meu irmão, Eng. Márcio Antônio, “Paisagens da Passagem”,1998]

ITALIANO
Il mio nonno materno, Agostino Angelo Pignataro, nato nel 1871, emigró dall’Italia, più precisamente da Vacarizzo Albanese, all’epoca Comune di Rossano (Calabria), sulla costa jonica, all’etá di 19 anni, venne solo in Brasile, lasciando la madre vedova, Mariantonia, che avrebbe sposato un italiano di cognome Candreva, e una sorella, Veronica. Agostino Angelo, dopo una breve permanenza nelle piantagioni di caffè di San Carlos do Pinhal (SP), venne a Minas Gerais, intorno al 1891, per lavorare come dipendente della “The Ouro Preto Gold Mines of Brazil Limited” , azienda di capitale britannico, in Passagem de Mariana, considerata, in quel momento, la più importante società di estrazione dell'oro in Brasile, non solo per la produzione, ma principalmente per la tecnologia mineraria sotterranea, introdotta dagli inglesi, che a sua volta richiedeva manodopera più qualificata, che si trovava nei flussi di immigrazione europei, soprattutto italiani, tedeschi e spagnoli In Compagnia da Passagem, all'esaurimento della miniera d'oro nel 1950, era una culla di professionisti eccellenti (meccanici, fabbri, falegnami, ecc.) per molte aziende negli stati di Minas Gerais e San Paolo, allora in fase di rapida industrializzazione. Molte di queste famiglie discendenti da immigrati, in Passagem de Mariana, andarono alla ricerca di nuove oportunitá. E per quello che só, tutti vinsero.
La mia nonna materna, Marieta Pignataro, nata nel 1878, Maria Fortunata Santoro Scarpelli, venne dall’Italia con quattordici anni, proveniente da Celico província di Cosenza (Calabria), sulla costa Mediterranea, accompagnata dalla madre vedova, Cecilia, e tre sorelle, Carmella, Rosa, Conchetta e due fratelli, Carmine e Antonio. Si stabilirono in Passagem de Mariana, portati dal fratello Carmine che aveva già un’avviato commercio nella colonia italiana. Ed è stato allora che i miei nonni si conossero. Si sposarono in Passagem de Mariana, nell'agosto 1899, e decisero di stabilirsi a Ouro Preto, 6 km distante, con un piccolo negozio nel quartiere Antônio Dias. Mio nonno, figura affabile ed elegante, si scoprí buon commerciante, instancabile nel compiere il dovere e nella cura dei clienti, La cui attivitá in Ouro Preto venne conosciuta come la bottega del “Sô Angelo Pignataro”. Hanno avuto 11 bambini e prosperarono, anche se non potevano essere considerati ricchi, vivendo sempre di casa propria, di buona qualità, con abbondanza e gioia. Mia madre diceva che, in gioventù, era affascinata dalle serate musicali organizzate dai fratelli in casa. Ciascuno con Il proprio strumento, lei stessa suonava Il pianoforte e dipingeva molto bene.
In quel tempo, emigro dall’Italia, anche um fratellastro di mio nonno, Francisco Candreva, che si stabilí in Congonhas do Campos (Minas Gerais) le cui famiglie hanno avuto sempre um buon relazionamento.I miei nonni poterono quindi preparare i figli ad integrarsi nella classe sociale più colta, dal momento che, loro stessi ha avuto poche opportunità di avere un’educazione scolare in Italia. Degli 11 figli, due si laurearono in ingegneria (Francisco e Agostinho), due medici (José e Antonio), un farmacista (Helio), quattro commercianti (Miguel, Martinelli, Vitorino e Pedro), due maestre (Anita, ancora viva con 98 anni, e Antonieta Pignataro Pereira, mia madre, giá deceduta). I contatti dei miei nonni e zii con i loro parenti rimasti in Italia non hanno mai smesso di esistere in questo periodo per oltre un secolo. In veritá si sono con Il passare del tempo un pó affievoliti. Nel marzo 2002 ho avuto l'opportunità di visitare questi due posti in Italia, Celico e Vacarizzo, dove ho trovato riferimenti dei miei nonni, il loro registro di nascita, le case in cui presumibilmente vivevano. Parenti lontani, che conoscevano la storia dell'emigrazione in Brasile. É stato un tuffo nelle mie radici con alto contenuto emotivo. Mi sono sentito più vicino a tutti i miei parenti di qua e di lá. Per farla breve, una storia di famiglia, come molte altre, è vero, ma in cui sono stato testimone di atti di dedizione, altruismo, coraggio e calore umano.
João Pignataro Pereira - nato a Passagem de Mariana, 1946, laureato in Ingegneria Metallurgica nella Scuola di Minas de Ouro Preto (1970). Master in International Public Policy alla SAIS, The Johns Hopkins University, Washington DC, USA (1979) . Vive a Brasilia dal 1972, avendo lavorato in CONSIDER e SIDERBRAS, all’epoca enti del governo brasiliano, con indirizzo nell’industria siderúrgica. Per 5 anni, è stato professore e direttore del Corso di Relazioni Internazionali presso l'Università Cattolica di Brasilia e attualmente lavora al Ministero dello Sviluppo, Industria e Commercio Estero-MDIC, nelle questioni relative al settore siderurgico e medio-ambiente
[Questa testimonianza, per la maggior parte, si basa sul Cap VI- “Le Radici di Lá”, libro di mio fratello, Ing. Márcio Antônio, "Paesaggi di Passagem", 1998]

Rosalie Gallo

PORTUGÛES
Regar minhas raízes
Como a maioria dos descendentes de oriundi, cresci ouvindo falar da Itália. Cresci ouvindo falar em dialeto calabrês, escondendo meu sette bello para meu avô paterno ganhar, ouvindo meu avô materno tocar violão para acompanhar o canto saudoso da terra deixada, comendo os turdije de uma avó ou rindo das teimosias de outra avó.
Meus avós – os quatro calabreses! - vieram para o Brasil já casados, porém, em condições bem diversas, embora movidos pela mesma esperança.
Meu avô paterno havia cursado até o quarto ano de Medicina, em Nápoles e sua jovem esposa era filha única de um juiz. Ele emigrou bem antes dela. Estava no porto de Santos, vestindo seu terno claro, para recebê-la. Dante, seu primeiro filho, com quase quatro anos, precisou de tempo para se acostumar à presença do pai, de quem não se lembrava direito.
Meu avô materno veio como colono contratado. Trouxe com ele a esposa e seu primeiro filho, Vicenzo. Passaram pela Hospedaria, em São Paulo, e foram conduzidos a Gavião Peixoto, na região de Araraquara/SP. Dali saiu para ser proprietário de um sítio relativamente grande, perto de Pindorama/SP.
Instaladas as famílias nesta cidade, viram seus inúmeros filhos crescerem e acabaram se entrelaçando com o casamento de meus pais – Victório Hugo Gallo e Santa Assumpta Spina. Era o ano de 1925. E era aniversário de meu pai, 7 de outubro. Festa com todos os motivos.
Sou a caçula de muitos irmãos e esperei em silêncio a oportunidade de conhecer a Itália. Jamais pude imaginar que a sorte me contemplaria com muito mais que uma viagem de turismo. Viajamos, minha filha Manuela e eu, para Portugal, depois Espanha. Dali, de Barcelona, tomamos uma nave da Família Grimaldi, dos Príncipes de Mônaco, que são de origem genovesa e, depois de um dia inteiro de ansiedade, chegamos ao porto de Gênova.
Nossa viagem tinha que começar por esta cidade; dali tinham saído meus quatro avós. Minha forma de homenageá-los foi chegar à Itália, ao mesmo porto de onde tinham saído. E haja emoção! Pisando as pedras do cais pensava se eles não teriam pisado os mesmos lugares.
Nesta primeira viagem não tive oportunidade de chegar à Calábria. Paramos em Nápoles, impedidas por tempestades. Mas me prometi voltar.
No ano seguinte, entrei em contato com pessoas amigas que me facilitaram chegar a parentes paternos, em Scigliano, província de Cosenza. A emoção foi tão grande em reconhecer rostos e nomes que na ocasião me esqueci completamente de ter a máquina fotográfica pendurada no pescoço. Então, foi preciso voltar. E tenho voltado sempre.
Vou à Itália com freqüência. Mas tenho que voltar à Calábria, todas as vezes. Para uma calabresa como eu, não tem sentido ir à Itália e não ir à Calábria. É como voltar para casa e não entrar; parar no portãozinho do jardim. É deixar de sentir o calor das pessoas, o cheiro do mar calabrês, cheio de memórias. Aprendi a saborear um bom peperoncino, a beber um vinho caseiro, a presentear sopressata e ‘nduja. Aprendi a respeitar o caçador e o peixe espada caçado em Scilla, principalmente, no Estreito de Messina, ouvindo histórias fantásticas sobre o modo de caçá-lo (peixe espada não se pesca!) e, finalmente, entendi a profunda dor contida na canção de Modugno. Aprendi a conhecer essa figura legendária que se chama calabrês. Aprendi a reconhecer minhas raízes. Aprendi a mostrar orgulho por elas.
Minha filha e eu temos dupla cidadania há muito tempo. Hoje estou esperando a inclusão de minhas duas netinhas. Logo pretendo levar pelo menos Luísa, a mais velha que já tem quatro anos, como tinha meu tio Dante ao chegar ao Brasil, para conhecer nossa terra. Desejo que ela conheça “in loco” a terra de onde saiu sua bisavó Luisa e tenha orgulho do nome que carrega, do sobrenome que tem no sangue, da história que contei em um livro. Dentro de nós existe muito da Calábria. Nela está a origem de nossas vidas e de tantas outras vidas de tantas outras famílias que passaram, como imigrantes a quem louvo com admiração e respeito, as agruras de uma aventura sem par.

ITALIANO
Diffondere le mie radici
Come la maggior parte degli oriundi, sono cresciuta ascoltando storie dell’Italia. Sono cresciuta ascoltando parlare in dialetto calabrese, nascondendo il mio “Sette Bello” affinché mio nonno paterno potesse vincere, ed ascoltare Il mio nonno materno suonare la chitarra per accompagnare il canto della terra lasciata, mangiare Il turdije di una nonna o ridendo della caparbietà dell’altra. I miei nonni - tutti e quattro i calabresi! – Sono arrivati in Brasile già sposati, ma in condizioni molto diverse, anche se guidati dalla stessa speranza. Il mio nonno paterno aveva frequentato fino al quarto anno di Medicina, a Napoli e la sua giovane moglie era figlia unica di un giudice. Lui emigrò ben prima. É andó a riceverla con Il suo vestito bianco al Porto di Santos. Dante, il loro primo figlio, con quasi quattro anni, ha avuto bisogno di tempo per abituarsi alla presenza paterna, che non ricordava bene. Il mio nonno materno venne con un contrato di colono portando con sé la moglie e il loro primo figlio, Vincenzo. Son dovuti passare dalla “Hospedaria”, in Sao Paulo, e sono stati condotti a Gavião Peixoto, nella regione di Araraquara / SP. Da lí è andato a prendere possesso, come proprietário, di terreno relativamente grande, vicino a Pindorama / SP. Installatesi le famiglie in questa cittá, che ha visto crescere i loro figli e finì tessendo il matrimonio dei miei genitori - Victorio Hugo Gallo e di Santa Assumpta Spina. Era l’anno 1925. Ed è stato il compleanno di mio padre, 7 di ottobre. Festa con tutti i motivi.
Io sono la giovane di tanti fratelli e ho atteso in silenzio la possibilità di conoscere l’Italia. Non avrei mai potuto immaginare che la fortuna avrebbe potuto contemplarmi con molto di più di un semplice viaggio turistico.
Viaggiammo, io e mia figlia Manuela, per il Portogallo, dopo la Spagna. Da lí, da Barcellona, abbiamo preso una nave della Famiglia Grimaldi, Principi di Monaco, che sono di origine genovese e, dopo un’ansiosa giornata, abbiamo raggiunto il porto di Genova.
Il nostro viaggio in Italia doveva per forza iniziare da questa città, da dove sono inbarcati i miei quattro nonni. Il mio modo per onorarli, é stato arrivare in Italia dallo stesso porto da dove l’avevano lasciata.
Con Il massimo dell’emozione, percorsi Il pontile del molo e mi chiedevo se stavo camminando sui loro stessi passi.
In questo primo viaggio non ho avuto la possibilità di arrivare in Calabria, ci siamo fermati a Napoli, impediti dalle tempeste. Ma con la promessa di tornare.
L'anno successivo, sono entrata in contatto con amici che mi hanno facilitato l’approssimazione ai parenti paterni, in Scigliano, nella provincia di Cosenza.
L'emozione é stata così grande nel riconoscere i volti e nomi, che al momento ho completamente dimenticato di avere la macchina fotografica appesa al collo. Per questo, ho avuto bisogno di tornare, E sono sempre ritornata.
Vado spesso in Italia. Ma devo tornare in Calabria, ogni volta. Per una calabrese come me, non ha senso andare in Italia e non andare in Calabria.
É come tornare a casa e non entrare, fermarsi nel piccolo cancello del giardino. É lasciare di sentire il calore della gente, l'odore del mare calabrese, pieno di memorie.
Ho imparato a assaporare un buon peperoncino, bere un vino fatto in casa, e regalare ‘nduja e sopressata. Ho imparato a rispettare il cacciatore e la caccia al pesce spada a Scilla, in particolare nello Stretto di Messina, ascoltando storie fantastiche su come cacciarlo (pesce spada, non si pesca!) E, finalmente, ho potuto comprendere il profondo dolore contenuto nella canzone di Domenico Modugno .
Ho imparato a conoscere questa figura leggendaria chiamata Calabrese. Ho imparato a riconoscere le mie radici. Ho imparato a mostrare l'orgoglio per esse.
Mia figlia e io abbiamo la doppia cittadinanza da lungo tempo. Oggi stó aspettando l’inclusione delle mie due nipotine.
Presto ho l’intenzione di portare, per lo meno Luisa, che é la piú grande, che ha giá quattro anni, la stessa etá che aveva mio zio Dante nell’arrivare in Brasile, per conoscere la nostra terra.
Desidero che lei conosca "in loco" la terra da dove é partita la bisnonna Luisa e che sia fiera del nome che porta, del soprannome che ha nel sangue, della storia che ho raccontato in un libro.
Dentro di noi c'è molto della Calabria. In essa c’é la fonte delle nostre vite e di tante altre vite di altre famiglie che sono passate, come immigrati che stimo con ammirazione e rispetto, i disagi di un’avventura senza impari.

Rogerio Galloro

PORTUGUÊS
Antes de ouvir algo sobre a lingüiça calabresa ou o “temperamento forte” dos calabreses radicados no bairro do Bexiga em São Paulo meu primeiro contato com essa gente maravilhosa foi em casa. Neto de calabreses oriundos da Província de Vibo Valentia, mais precisamente da Comune de San Nicola da Crissa, sempre ouvi histórias de meu avô, minhas tias e de meu pai sobre a vida difícil na Itália no final do Século XIX e início do Século XX e das agruras e aventuras de nossos ascendentes na travessia do Oceano Atlântico, do porto de Nápoles até o de Santos e depois a dura vida nos cafezais do Noroeste Paulista.
Minha família “Galloro” radicou-se inicialmente em Viradouro, depois em Floreal e finalmente, fincou raízes em Votuporanga, todas cidades do interior do Estado de São Paulo.
Rodei o Brasil e o mundo a trabalho ou a passeio mas foi em Roma, em 2005 que encontrei pessoas com tamanha identidade cultural e física, em comparação aos meus familiares, que cheguei a me sentir em casa. Os narizes aduncos, a expressão séria e as vezes carrancuda, que não resistem a uma piada ou ao encontro de um amigo para se abrir em sorriso largo e fortes palmadas nas costas, as vezes, em comentários simples, até as lágrimas chegam a correr. O barulho de gritos e buzinas nas ruas, o mal humor dos garçons contrastam, ao mesmo tempo, com a disposição de ajudar um transeunte perdido.
Meus avós são falecidos, alguns tios também, mas suas histórias e informações foram suficientes para me auxiliar na busca pelos registros de meus antepassados que resultaram no reconhecimento pelo governo da Itália de minha cidadania italiana, transmitida aos meus dois filhos. Minha esposa, também descendente de italianos do norte, Montegalda, Vêneto, conseguiu há algum tempo sua cidadania.
Aprendemos um pouco de italiano, sempre com a lembrança do sotaque e das palavras até então incompreensíveis de nossos “nônos” e em dezembro último seguimos eu, minha esposa e os dois filhos a Orlando, EUA, onde ingressamos naquele país sem a necessidade de visto de turista. Não bastassem todas as lembranças da infância, lá no interior de São Paulo, ou as pesquisas que me remeteram à Calábria sem mesmo nunca ter estado lá, ou até a visita à Roma, aquele momento no aeroporto internacional de Orlando foi de sentimento ambíguo, de profundo orgulho por meus avós de terem vindo para o Brasil e construído uma família honrada aqui e também de ser um cidadão europeu.
Ser brasileiro ou italiano pode trazer vantagens ou desvantagens dependendo do momento político, econômico ou social, bem como de onde estamos ou vamos, mas o mais importante é ser fruto dessa maravilhosa miscigenação brasileira e ter o sangue de gente tão trabalhadora, apaixonada e forte como os calabreses.

Rogério Augusto Viana Galloro é delegado de Polícia Federal, formado em direito em São Paulo, com MBA pela FGV em Gestão de Políticas de Segurança Pública. Atualmente exerce a função de Diretor de Administração e Logística Policial da Polícia Federal. Atuou em inúmeras áreas da Polícia Federal, coordenou o projeto do atual passaporte brasileiro, representou o Brasil e sua instituição em mais de onze países.
ITALIANO
Prima ancora di aver sentito parlare sulla salsiccia calabrese o sul “forte temperamento” dei calabresi radicati nel rione Bexiga di San Paolo Il mio primo contatto con questa meravigliosa gente é stato in casa. Nipote di calabresi oriundi della Provincia di Vibo Valentia, esattamente da Comune di San Nicola da Crissa, sempre ho ascoltato le storie dei miei nonni, delle mie zie e di mio padre sulle difficoltá della vita in Italia trá la fine del Secolo XIX e l’inizio del Secolo XX e dalle difficoltá e avventure dei nostri antenati nella navigazione dell’Oceano Atlantico, dal porto di Napoli fino a quello di Santos e dopo la dura vita nelle fazende di caffé del nord-est Paulista.
La mia famiglia “Galloro” si radico inizialmente in Viradouro, dopo in Floreal e finalmente, ha messo radici in Votuporanga, tutte cittá dello Stato di San Paolo.
Ho girato Il Brasile e Il mondo per lavoro e turismo ma é stato a Roma, nel 2005 che ho incontrato persone con un’enorme identitá culturale e fisica, comparandoli ai miei familiari, e sono arrivato a sentirmi in casa. I nasi aquilini, l’espressione seria e a volte corrucciata, che non resistono ad una barzelletta o a un’incontro di un’amico per aprirsi ad un largo sorriso e a forti paccate nelle spalle, alle volte, anche in semplici chiacchierate, perfino le lacrime iniziano a scorrere. Il chiasso delle grita e dei clacson nelle strade, I’umore burbero dei camerieri contrastano, allo stesso tempo, con la disposizione a aiutare un vagante perso.
I miei nonni sono giá morti, come anche alcuni zii, ma le loro storie e informazioni sono stati sufficienti ad aiutarmi alla ricerca dei registri dei miei antenati che é risultato nel riconoscimento dal governo dell’Italia della mia cittadinanza italiana, trasmessa ai miei due figli. La mia sposa, oriunda di italiani del nord, Montegalda nel Veneto anche lei é riuscita ad ottenere la cittadinanza da piú tempo.
Abbiamo imparato un poco d’italiano, sempre con Il ricordo della pronunzia fino allora inconprensibile dei nostri “nonni” e lo scorso dicembre siamo stati io, mia moglie e i miei due figli a Orlando negli USA, dove siamo potuti entrare in quel paese senza la necessitá del visto di turista. Non bastassero tutti i ricordi dell’infanzia, la nello stato di San Paolo, alle ricerche che mi collegano alla Calabria senza mai essere stato li, o alla visita a Roma, in quel momento nell’aeroporto Internazionale di Orlando ho provato un sentimento ambíguo, di profonfo orgoglio dei miei nonni che sono venuti in Brasile a costruire una onorata famiglia qui ed anche di essere un cittadino europeo.
Essere brasiliano o italiano puó trarre vantaggi o svantaggi dipendente dal momento politico, economico o sociale, e dove siamo o andiamo, ma la cosa piú importante é essere frutto di questo incrocio di razze brasiliano ed avere Il sangue di gente tanto lavoratrice, appassionata e forte come i calabresi.

Rogério Augusto Viana Galloro é Ispettore della Polizia Federale, laureato in giurisprudenza a San Paolo, con MBA (Master) per FGV (Fondazione Getulio Vargas) in Gestione di Politiche della Sicurezza Pubblica. Attualmente svolge la funzione di Direttore dell’Amministrazione e Logistica Poliziale della Polizia Federale. Ha attuato in varie aree della Polizia Federale, ha coordinato Il progetto dell’attuale passaporto brasiliano, ha rappresentato Il Brasile e la sua istituzione in piú di undici paesi.